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Coluna do Raimundo
 
 
Postado em 5/8/2004

As Olimpíadas e suas weird categorias

Por Raimundo Penaforte
raimundo@globalexchange.com.br

Origem

Desde o começo das olimpíadas que o homem, a cada ano que passa, inventa mais bobagens para competir com o outro. Isso não é de agora. Essa mania de apostar carreira - pra ver quem... vira a mulher do padre - é antiga.

Bem antes da invenção da roda Firestone e da cola Tenaz ("e descole se for capaz"), na época de Sócrates, Platão e Rivelino, essa obsessão do homem por esportes já existia em Atenas, Parabólicas e Quixeramobim.

Histórico

Tudo começou com uma cuspida no chão. "Menino!", disse o pai para o filho, "Vá lá na venda do Feitosa buscar uma rapadura. Já! Vamo! Vamo, seu cabra-de-pêia! Vou cuspir no chão e é bom cê tá de vorta aqui antes do cuspe secar, siô!".

Isso, acredita-se, levou o homem às primeiras competições: arremeço de cuspe, medição de bimbas, prova de longo alcance como, urinar - a uma distância de 5 metros -, dentro de um vaso sanitário sem molhar as bordas da privada etc. Tudo fruto da mentalidade masculina em sua mais prolífera fase criativa.

No decorrer dos anos, com o desenvolvimento tecnológico, o homem inventou não só o Viagra e o sorvete de amendoim, como também o pentatlo: corrida, salto em altura, lançamento de disco e de dardo e o bloco de carnaval "Que merda é essa?".

Salt Lake City

Esse ano, os jogos olímpicos (de inverno) foram efetuados em Salt Lake City, Utah, EUA. Na realidade, essa olimpíada só contou com esportes na neve e no gelo. Não acho que deveriam nem chamar isso de esporte quando tudo que os atletas fazem é burlarem a lei da gravidade. No entanto, quando se esbarram na neve, a coisa fede. E haja gravidade...

Os saltos, sem dúvida, são peripécias de difíceis execuções que requerem dos atletas total preparo físico, destreza absoluta e aversão, quase que total, a sol, mar, tira-gosto, água de coco e mulher de biquíni (fio dental, nem pensar).

O perigo

Em algumas categorias, o nível de perigo excede ao de outras, como é o caso no salto de esqui. O esquiador sobe ao topo da montanha de gelo - levado pelo bondinho do Cristo Redentor ou dependurado no cangote de um alpinista - e, como se estivesse com raiva do mundo e do cunhado chato, se joga (em protesto contra a vida e o cunhado) de cima da montanha, como uma águia voando pela primeira vez.

A velocidade é altíssima e o grito do esquiador (durante o salto), lembra o Pavarotti, na cadeira do dentista. Dizem os entendidos, que o medo sentido pelo esquiador, no processo de queda, é comparável ao de um carteiro míope correndo de um bulldog.

Cauby

Os esquiadores - todos, sem exceção -, ao aterrissarem na neve e deslizarem à linha de chegada, trazem consigo um ar de... felicidade deveras peculiar. A razão: a pressão da altidude e o forte vento frio no rosto, fazem com que a pele do rosto estique-se a ponto dos atletas tornarem-se exímias fotocópias do Cauby Peixoto. Por sinal, os juizes planejam adicionar à prova, a canção: "Conceição", valendo 24 pontos.

Explicação acadêmica

Artistas em geral, sempre têm uma razão para expressarem, artisticamente falando, suas visões do mundo que os cercam (por mais idiotas que pareçam).

No mundo artístico, toda maluquice é explicável. Ainda que a reação do público, após prolongada explicação acadêmica sobre a razão da figura da mulher, no quadro entitulado: "Mulher nua penteando os cabelos", não se encontrar na tela azul; ou na pintura entitulada: "Cavalo pastando no campo", o bode - vestindo saia e comendo a bota do Charlie Chaplin -, represente o mundo animal pós-ataque nuclear... seja retardadamente unânime: "Ah... Sim... É, mesmo... Hum?!".

Esse tipo de mal-entendido também ocorre no mundo dos esportes.

"Weird" ([Ing.] adj. estranho, peculiar, bizarro. [pron. uíârd.])

Quando vejo, na TV, um jovem (forte, musculoso, vestindo um capacete e uma roupa de homem-rã) no colo de outro (ultrajando o mesmo tipo de vestimenta), sentados em um carrinho de Papai Noel (versão miniatura) despencarem do topo de uma montanha, ambos tentando manter a bunda no mesmo assento e a uma velocidade que, ao menor erro... irão parar no meio do buraco-negro, no universo (chegando a tempo de comerem um javali com o homem-das-cavernas)...

A minha reação, como torcedor-de-frente-de-televisão, é a mesma do público que, retardadamente estupefato, procura o pentelho na pintura "Mulher com menino nos braços"; "Ah... Sim... É, mesmo... Hum?!".

Hockey

Outro esporte que acho muito curioso é o tal do hockey. Tudo nesse esporte é grande - do ego à inhaca -, menos a barra do gol, que é do tamanho de uma barra... de futebol de praia.

O goleiro tem que ficar ajoelhado para poder impedir que uma rodinha dura, do tamanho de dez Biscoitos-Maria sobrepostos, não entre de barra adentro, ou pior ainda, de boca adentro. A regra desse esporte aparenta ser só uma: "Do couro cabeludo para baixo, tudo é canela." E tome porrada!

Império romano

Os jogadores desse esporte, todos grandes, vestem aparatos como: esquis, joelheiras, queixeiras, peixeiras, capacetes, botas - alguns, baton e sutiã -, viseiras, coleiras, mordaças etc., não só para se protegerem dos adversários, como também dos pianos que é comum cairem do teto e também de um possível ataque do império romano (já que Napoleão perdeu a moral ao apanhar do sabonete).

Na realidade, não entendo por que eles se vestem assim. Talvez temam seqüestro, atropelo ou uma quebra de unha. Sei lá!

Como não bastasse, o jogo acontece sobre uma quadra com gelo. Exatamente como você acaba de imaginar: um verdadeiro festival de pitomba em boca de banguelo. E tome porrada!

Cada vez que vejo esse esporte, na TV, lembro-me dos bons tempos de menino quando, usando tampinhas de refrigerante, jogava futebol com os colegas no corredor encerado da escola.

Futebol de salão

Creio que foi do hockey que surgiu o futebol de salão, no Brasil. Digamos, uma versão melhorada do hockey. Talvez, por economia, eliminaram a quadra com gelo e os aparatos contra raquetadas nas canelas; diminuiram o tamanho dos jogadores (enquanto mantendo seus maus-humores) e aumentaram o tamanho da bola para o... de um melão.

A regra, por outro lado, continuou a mesma: "Do couro cabeludo para baixo, tudo é canela."

E tome porrada!!!


Raimundo Penaforte
raimundo@globalexchange.com.br

Raimundo é compositor e correspondente do Global Exchange em Nova York.

 

Sobre o autor...

Raimundo Penaforte

Músico, compositor e arranjador é um dos mais prolíferos músicos brasileiros de sua geração. Suas músicas têm sido apresentadas na Europa, Canadá, Japão e no Brasil. Nos Estados Unidos, a música de Raimundo tem sido tocada nos mais importantes locais do país como a Casa Branca, Kennedy Center, Kravis Center e Lincoln Center for the Performing Arts.

Saiba mais - Apresentação

Raimundo Penaforte
raimundo@globalexchange.com.br


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