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Dicas de viagem
 
 
Postado em 24/4/2015

Dicas de viagem

Por Raimundo Penaforte
raimundo@globalexchange.com.br

Há alguns anos atrás, quando comecei a escrever crônicas para a Coluna do Raimundo, a intenção era oferecer dicas de viagem para internautas que planejavam conhecer o exterior (Bahia, Pernambuco, Maranhão e até mesmo a Amazônia).

Depois de enrolar um bom bocado e escrever sobre coisa alguma, me senti culpado por não ter - a essa altura do campeonato - cumprido com o meu dever de cicerone internáutico.

Já viajei muito por esse mundo afora e creio que é chegado o momento de compartilhar com os leigos - nessa jornada em busca de...[De que mesmo?] Ah! de bugigangas para vender no Brasil -, do conhecimento turístico que arrecadei, fruto de muitos vistos vencidos. O problema é que, à medida que escrevo, não consigo lembrar dos fatos ocorridos por onde passei.

Vejamos... Hummm... E agora? Não consigo lembrar de nada. Preços, nomes, lugares... Coisa alguma. Enquanto batuco com os dedos na mesa (tentando me lembrar de alguma coisa) noto que ela soa legal. Sim, mas as dicas... Devia ter escolhido outro assunto como, a inteligência do Bush versus o QI de uma ameba; um dia numa fila da Caixa Econômica etc.

Ah! Lembrei de uma dica. Nunca lamba os dedos na mesa, se em um restaurante brasileiro, no exterior. Porém, se em um restaurante americano, pode lamber até os cotovelos, ninguém se incomodará. Ao contrário, você periga ganhar fama de educado.

Nunca pegue a coxinha de galinha (vocês carnívoros) com a mão, se em um restaurante brasileiro, mas se em um restaurante americano, pode pegar não só a coxinha como a asinha, o pescocinho, o pezinho, o bolinho, a pizzazinha e tudo que aparecer na frente... e depois, lamber-se todo, como um gato de hotel; desta feita, concorrerá ao Nobel de etiqueta. Detalhe: só não pergunte pela farinha.

Se nos EUA, não se preocupe em lavar as mãos antes ou depois da coxinha. A não ser claro, que o óleo da penosa escorra-lhe pelo braço. Nesse caso, limpe-o na toalha da mesa. O leitor há de perguntar o porquê. Se ninguém vai beijar sua mão e você não é padre, pra que lavá-las? Você não planeja banhar-se na manhã seguinte? [...] Micróbios? Os micróbios que se... Só não pergunte pela farinha.

Ao entrar num restaurante americano, no intuito de sentar para uma cervejinha com os amigos, não peça ao garçom que improvise um pratinho com tira-gostos. Improviso, na América, só em jazz. Ele pode lhe processar por trauma psicológico. Isso mesmo. Você poderá ser deportado da face da terra. Terá que se mudar para Marte ou, o Iraque.

Lembre-se: se algo não existe no cardápio americano (o tal tira-gosto, no caso) é porque, para o garçom, isso não existe no universo. That simple! Daí, o caso da farinha. Rapadura então, nem pensar! E pare com esse papo de chamar o garçom de "Ô meu prezado!...". Isso aqui não funciona.

Aos cavalheiros: se é verão e você se encontra no Central Park, em Nova York, "controle" é a palavra chave. As americanas deitam-se nos gramados (vestindo saias curtas) e rolam de um lado para o outro - enquanto checando as unhas dos pés - como se todos os homens ao redor fossem cegos ou gays ou ambos.

Seja discreto. O gringo ao seu lado não precisa saber do seu estado eufórico. Evite compartilhar isso com ele como se estivesse conversando com o Vinícius de Moraes, em Ipanema. O gringo vai achar que você é o tarado de Notre Dame. Isso aqui não é um bom adjetivo.

Outra coisa, na América, não perca seu tempo passando cuecas, meias, calças, lenços... nada. Esqueça que existe ferro (e farinha).

Em Israel, evite discutir sobre religião e política. Se você não é judeu, nem fariseu, nem ateu e de religião só conhece Mãe Menininha, mantenha-se calado (e será feliz). Certifique-se também que não é alérgico a pepino, tomate, ovo cozido, iogurte, pão, geléia e azeitona pois esse será o seu cardápio durante sua visita (...e humos...).

Ao visitar o Muro das Lamentações, aproveite para lamentar-se da falta de paz no mundo, da guerra de Canudos, do carnaval novaiorquino... mas, se começar a incluir a falta de sorvete de graviola, de pato-no-tucupí, de cafezinho brasileiro e de feijão mulatinho... STOP! Você está se lamentando demais. Recomponha-se, volte para o hotel e ligue urgentemente para a sua agência de viagens, para antecipar a sua partida. Caso não consiga, volte ao muro. Os rabinos entenderão o seu drama.

Na França, não se meta a falar inglês com os franceses. Faça-os sentir dor e será mais bem tratado do que fazendo-os sentirem-se americanos. Lembre-se: franceses gostam tanto de americanos como brasileiros de Maradona. Se não sabe falar francês, fale português e eles passarão a entender o seu francês. Inglês, só em último caso como dor-de-barriga e... Bom, não existe outra razão!

Aos cavalheiros novamente, nada de beijinho-beijinho, na América. Um aperto de mão (bem masculino) é o suficiente. Lembrem-se: o fato de uma americana linda maravilhosa sorrir para você - que já foi ignorado por todas as mulheres do planeta, incluindo as de casas de massagens - não significa, em hipótese alguma, que você foi "o escolhido". Também não espere ser condecorado, nem tratado como herói de guerra - pela tal Mocinha Americana - só porque contou-lhe (com seu inglês de cacique) a sua vida em cinco minutos de conversa enquanto numa fila de banheiro, no bar.

Se nos EUA, evite cuspir no chão, principalmente se for daquelas escarradas que, quando expostas no calçadão, lembram as pinturas do Van Gogh. As vezes que presenciei esse tipo de ação, o autor do crime era sempre latino. Americano não faz isso. Americano engole. Uglwry!!!

Em qualquer parte do mundo, se um cachorro enorme e revoltado com o tamanho da cauda latir para você, ignore-o. Se ele correr em sua direção, suba num poste ou saia voando como o Super-homem. Caso nenhuma dessas opções lhe sirva, grite como se não existisse amanhã. Caso contrário, para você não existirá amanhã e não foi por falta de aviso.

Tanto no Brasil, como no Senegal, no Japão ou em Teresina, ao falar no celular, lembre-se que aqueles que estão ao seu redor, gostariam de saber quanto tempo você planeja ficar nesse papo furado; nessa lenga-lenga; nesse nhem-nhem-nhem-dos-infernos. Procure ficar, no mínimo, à uma distância de trezentos metros de músicos, escritores, pensadores e ladrões (de celular). Seria melhor não falar em absoluto. Só ouvir. Já tentou? Melhor ainda: por que não desliga essa bosta e presta atenção na conversa?

Se estiver ao lado de algum compositor e o seu celular tocar "alto" (usando aquela musiquinha chata e irritante da sinfonia No. 40, do Mozart), vá ao banheiro antes que seja tarde, jogue o celular no vaso sanitário e dê descarga. Depois, ajoelhe-se perante o compositor, peça-lhe perdão e prometa, em voz alta, que isso jamais ocorrerá novamente. Depois, saia de mansinho e sem movimentos bruscos. Avisei, hem?!

Apesar de bebidas alcoólicas em vôos internacionais serem grátis, evite tomar o equivalente ao valor de sua passagem. Após a quinta dose, procure concentrar-se no filme. Evite gargalhadas altas e comentários (com seu "amiguinho" imaginário) a respeito das bundas das aeromoças. Seja discreto.

Evite chegar embriagado ao local de destino. Quando o agente de imigração lhe der a palavra, evite, às gargalhadas, perguntar-lhe se aquela armação-de-óculos faz parte do contrato de trabalho (e mais gargalhadas... seguidas por um tapinha nas costas). Isso pode dar uma cana que não tem nada a ver com a caiana.

Em geral, evite roer um osso de mocotó por mais de duas horas consecutivas (em qualquer parte do mundo). Se tiver que executar tal perícia, que seja feita entre as quatro paredes da sua cozinha e que o Faísca, o seu cão pulguento, não o ouça crocando as cartilagens. Ele vai achar que você pirou de vez e vai comer um de seus sapatos. Só de sacanagem!

Que mais? Ah! Se você tem chulé, durma de sapatos, no avião. Assim evitará olhares suspeitos, na manhã seguinte. Importante: existe uma diferença entre um olhar de quem não conseguiu dormir - por causa do seu chulé - e o de um terrorista. O FBI sabe muito bem disso.

A última dica e talvez a mais importante, ao deparar-se com outro brasileiro no mesmo vôo, espere pelo menos 5 horas (em dias úteis) para perguntar-lhe o quanto ganha, por mês.

Se acontecer, novamente, dele ser músico e canceriano, evite também pedir-lhe para trocar de assento com você e pare de puxar conversa desnecessária. Melhor ainda, troque de assento com outra pessoa, no outro lado do corredor. Saia de perto dele. Ele pode estar escrevendo uma crônica... e ainda por cima, ele é muito chato.

No mais, desabotoe o cós, aperte o cinto e tenha uma boa viagem.


Raimundo Penaforte
raimundo@globalexchange.com.br

Raimundo é compositor e correspondente da Global Exchange em Nova York.

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Sobre o autor...

Raimundo Penaforte

Músico, compositor e arranjador é um dos mais prolíferos músicos brasileiros de sua geração. Suas músicas têm sido apresentadas na Europa, Canadá, Japão e no Brasil. Nos Estados Unidos, a música de Raimundo tem sido tocada nos mais importantes locais do país como a Casa Branca, Kennedy Center, Kravis Center e Lincoln Center for the Performing Arts.

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Raimundo Penaforte
raimundo@globalexchange.com.br


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