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Coluna do Raimundo
 
 
Postado em 25/1/2003

Ilustres personas ocultas

Por Raimundo Penaforte
raimundo@globalexchange.com.br

Vou chamá-lo de Alfredo para tornar mais fácil a definição dessa personagem tão peculiar. O Alfredo é um cara aparentemente normal. Ele não tem o braço nem a perna direita, é alto e relativamente gordo.

Ele usa um óculos de professor universitário e ao se conversar com o mesmo tem-se a impressão de estar com a pessoa mais de-bem-com-a-vida, do universo. Mas isso é só impressão.

O Alfredo perdeu o braço e a perna direita por um simples erro de cálculo. Na realidade, ele calculava perder o corpo inteiro - a própria vida - quando pulou na frente de um trem. Por azar, não morreu. Graças à medicação que toma, ele vive bem... (medicado). Mas se a medicação acabar: atenção senhores maquinistas, cuidado com o Alfredo!

Semana passada vi um segmento na TV sobre um cachorro que só tinha as duas pernas laterais. Por mais triste que isso possa parecer, o cachorro corria e brincava com várias crianças, em um pátio de escola primária, como qualquer outro cachorro o faria. Quando ele cansava de correr, se encostava na parede usando o lado do corpo que faltava-lhe as pernas (isso não pode ser fruto só do instinto animal. É algo mais… que os humanos preferimos ignorar na hora do churrasco). De qualquer forma, não fora a falta das suas pernas laterais, ele não demonstrava qualquer diferença de um cachorro normal.

Nós, seres humanos, temos a capacidade de conscientemente mutilarmos os nossos corpos. Botamos peitos, tiramos peitos, diminuímos peitos, cortamos os pintos, adicionamos pintos, botamos bundas, perucas, cilíos, diminuímos o nariz, aumentamos os lábios, tiramos o queixo, mudamos de cor, raspamos a cabeça, estiramos os cabelos... Tudo para que possamos nos sentir melhor com nós mesmos e pior ainda, com os outros (mesmos). Só não cortamos o açúcar da nossa dieta. Somos capazes de ficar horas com rodelas de pepino na cara repleta de creme disso e daquilo, como se tivéssemos acabado de chegar de um planeta desconhecido. Mas o corte do açúcar e da língua grande, isso não. Assim é exigir demais.

Tais mutilações corpóreas, cirurgicamente falando, nem sempre têm finais felizes. Um ótimo exemplo disso é a cara do Michael Jackson, que comprova o atraso da ciência. Devido um espirro inesperado de seu cirurgião - na hora do solo do bisturi - o coitado do Michael não pode mais nem ir às ruas sem que não esteja com a cara coberta.

A última vez que deixou o lenço cair, enquanto visitava um zoológico, ficou uma semana preso na cela dos animais em extinção sendo alimentado apenas de ração e água, enquanto seus advogados tentavam provar que ele era inofensivo e que não estava em extinção. Finalmente provaram que sua espécie não estava em extinção e ele foi liberto. Dinheiro fala alto, sim e só não traz felicidade para quem sofre de infelicidade crônica.

De qualquer forma, achei a prisão do Michael - no zoológico - muito cruel. Sou contra crueldade para com os animais mesmo que eles pendurem seus filhos pelo pescoço fora da varanda de um quarto de hotel, no quarto andar. Isso é coisa do instinto animal, pô!

O Alfredo não tinha problema físico algum, pelo menos que aparentasse. Seu problema era unicamente psicológico. Infelizmente a medicina não está avançada o bastante para dar ao Alfredo uma cabeça nova, mais cabeluda e sem problemas psicológicos. Por causa disso, ele resolveu pular na frente de um trem, pronto para pôr um fim em sua vida conturbada. Ao invés de perder a vida - como planejava -, perdeu um braço e uma perna.

Hoje em dia, além de seus problemas psíquicos o Alfredo também tem problemas físicos. Temo que numa de suas recaídas, o Alfredo tente novamente o suicídio e - por outro erro de cálculo - perca o braço e a perna esquerda.

Viver é uma sina e sobreviver, uma arte. Dizem que a beleza da vida está no processo da sobrevivência diária e não no ponto de chegada. Segundo os depressivos novaiorquinos: "Life is hard and we die." Ou seja, a vida é dura e no final ainda morremos.

Mahatma Gandhi uma vez falou: "Se eu não tivesse senso de humor, já teria cometido suicídio há muito tempo." Ele também disse: "Respeito próprio e honra não podem ser protegidos por outros. Cabe a cada indivíduo fazê-lo por si mesmo."

Gandhi morreu no dia 30 janeiro de 1948, em Nova Delhi, vítima de três tiros no abdômen dados por Nathuram Godse, um fanático de 37 anos de idade. Gandhi estava com setenta anos.

Quanto ao Alfredo, no momento ele só anda de ônibus.


Raimundo Penaforte
raimundo@globalexchange.com.br

Raimundo é compositor e correspondente do Global Exchange em Nova York.

 

Sobre o autor...

Raimundo Penaforte

Músico, compositor e arranjador é um dos mais prolíferos músicos brasileiros de sua geração. Suas músicas têm sido apresentadas na Europa, Canadá, Japão e no Brasil. Nos Estados Unidos, a música de Raimundo tem sido tocada nos mais importantes locais do país como a Casa Branca, Kennedy Center, Kravis Center e Lincoln Center for the Performing Arts.

Saiba mais - Apresentação

Raimundo Penaforte
raimundo@globalexchange.com.br


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