13 de agosto de 2020 Home | Conte sua história | Cadastre-se | Sobre nós | Fale Conosco | Anuncie aqui
 
 
Voltar para a home do GEx
twitterFacebook    Editorial GEx
pesquisar
 
   
 
Coluna do Raimundo
 
 
Postado em 26/2/2002

...Valentine's Day...(!)

Por Raimundo Penaforte
raimundo@globalexchange.com.br

Significado

Diferindo do Dia dos Namorados, no Brasil, Valentine's Day, nos EUA, significa o dia não só para namorados, como também para a confraternização entre pessoas como se não existira Natal , através de cartões postais, flores, cantadas, chocolates, telefonemas, mais cantadas, ordens de prisões, ou só para soltar-se a franga.

O que ficou de fora do Natal há dois meses , agora é incluído e vale tudo ou... todos: o vizinho, a namorada (do vizinho), o carteiro, a costureira, o amigo gay, o zelador do prédio, o vira-lata do boteco, o gato da sogra, a vaca do leiteiro, a vizinha gostosa, a filha gostosa da vizinha gostosa, o vendedor de enciclopédias, a prima gostosa da filha gostosa da vizinha gostosa, o açougueiro, a amiga gostosa da prima gostosa da filha... etc.

Todos são merecedores de um "Happy Valentine's Day!", ou de um "Merry Christmas!" ou de um "Happy Thanksgiving!". No fundo, tudo acaba em samba. E vocês pensavam que eram só brasileiros que tinham essa mania de feriado (e de samba).

"Caminho das pedras"

Em se tratando de namoro, nos EUA a coisa é bem mais acadêmica do que no resto do mundo. Existem livros, sim isso mesmo, livros , repletos de regras que mostram o "caminho das pedras" no que diz respeito à paquera. Por exemplo, como se portar perante o sexo oposto, o que dizer ou não dizer durante um jantar, que comida pedir, o que pensar, o que vestir, o que perguntar, como mentir, como beijar, que tipo de poste escolher, como decidir quem vai para o apartamento de quem (após o jantar), como impressionar, como imprensar etc. O beabá do amor, digamos assim. Bom, whatever!

Ao contrário do Brasil um país de regras rígidas e de um povo sério que leva tudo ao pé da letra , os Estados Unidos são um país onde o namoro ainda é uma coisa de complicada definição. Por exemplo, você passa semanas indo a filmes, shows, restaurantes, comícios e reuniões de alcoólatras anônimos com a moça que conheceu em um barzinho de strip-tease. Duzentos dólares mais tarde durante um filme pornô de cinema barato , ao tocar-lhe as voluptuosas coxas que foram a razão de todo o seu investimento, digamos, sociológico , você é julgado por assédio sexual perante um juiz, no tribunal.

Revelação

Dois mil dólares e um advogado-pequeno-chato-de-peruca-com-paletó-com-medo-de-peido-e-um-namoradão-na-cadeia mais tarde, você perde a questão perante o tribunal e percebe que o negócio é decorar MEISMO as regrinhas dos livros. A hora da verdade: era infeliz e não sabia.

No Brasil, o processo de namoro é bem mais sério e elaborado. Você vai ao supermercado comprar dois ovos e uma vassoura e volta casado. Sai para lavar o carro e foge com a mocinha que distribui panfletos no sinal de trânsito. Vai explicar à empregada como quer a sua camisa engomada e ela engravida (não sabe como). Vai checar a sua conta, no restaurante, com a garçonete e ela também engravida (não entende como). Vai à farmácia comprar Melhoral e dá de cara com a ex-mulher escolhendo preservatívos um dia após ter terminado com ela. Coisas de gente civilizada e de país sério, com regras e éticas rígidas. Advogado? De peruca? Namoradão? Eu, hein?!

Algum João

Vida de solteiro não é fácil. Mais difícil ainda é ficar fora dessa festiva celebração do tudo-que-se-move Valentine's Day. Não sei quem inventou o Valentine's Day (daqui pra frente usarei só as iniciais VD). Na certa, por não ter muito o que fazer naquele dia, o inventor devia estar sofrendo da famosa dor-de-cotovelo.

Quem sabe, ao abrir a janela, ele olhou para fora e notou que o dia parecia feio, a sua televisão estava com defeito, o seu cachorro havia morrido, o aluguel estava atrasado, o calo (no dedão do pé) latejando e pensou: "Sabe de uma coisa? Vou inventar o VD*!" (*Em inglês, sigla para "doença venérea" ou Venereal Disease).

Creio que não foi com essa intenção que esse tal João (vou chamá-lo assim) inventou o VD. Também acho que não foi invenção da mulher. As mulheres têm mais o que fazer do que criar um dia só para as cantadas esdrúxulas dos homens, tipo: "Olá, você não gostaria de ir ao cinema... [pausa para engolir seco]... comigo? Sei lá, tomar um sorvete... olhar as estrelas... ir pra cama... Sei lá?!" Geralmente correm antes do tapa que acompanha a resposta.

Loser ([Ingl.] pron. lúzêr)

Na verdade, não dá para se escapar do VD. Principalmente quando se vive nos EUA. Aconteça o que acontecer, não se deixe jamais ser visto sozinho no VD. Será impreterivelmente rotulado com o pior dos rótulos já criados para aqueles flagrados em restaurantes, filas de cinemas, de teatros, de botecos ou de metrô sem uma acompanhante de Loser! Isso mesmo. Loser [Ingl.] adj. "Aquele que, além de desempregado, gordo e em avançada fase de perda dos cabelos, não conseguiu arrumar ainda uma namorada, ou mesmo uma simbólica parceira incógnita como a própria mãe para jantar no Burger King, no Valentine's Day."

Saída

Para evitar discriminação e entrada certa na lista negra do FBI, é aconselhável você, no VD, ficar em casa trancado sem atender o telefone. Outra opção caso não consiga sair com Filó, a cadela do mecânico, para que todos no quarteirão pensem que você... sei lá, trabalha e que a patroa provavelmente o espera em casa para um jantar à luz de velas; ou caso você não consiga ficar sentado (na frenta da televisão) devorando o mercantil do mês sem contemplar atirar-se pela janela , é convidar um amigo para jantar fora. Pelo menos, assim você será taxado apenas de veado (o que é normal) e não de loser (o que é uma pouca vergonha).


Raimundo Penaforte
raimundo@globalexchange.com.br

Raimundo é compositor e correspondente do Global Exchange em Nova York.

 

Sobre o autor...

Raimundo Penaforte

Músico, compositor e arranjador é um dos mais prolíferos músicos brasileiros de sua geração. Suas músicas têm sido apresentadas na Europa, Canadá, Japão e no Brasil. Nos Estados Unidos, a música de Raimundo tem sido tocada nos mais importantes locais do país como a Casa Branca, Kennedy Center, Kravis Center e Lincoln Center for the Performing Arts.

Saiba mais - Apresentação

Raimundo Penaforte
raimundo@globalexchange.com.br


Últimos artigos de Raimundo Penaforte

Compositor é residente da Unicamp
Olha esse céu de Londres
Dicas de viagem
Tocando ou Compondo
Jingle Bell, Mr. Noel!
Hino Nacional
Music at the Deli
Atenção, camera! Ação!!
Um Músico com muitas habilidades
Lançamento do Livro: Em sintonia com a música

Veja todos os artigos publicados por Raimundo Penaforte clicando aqui.


Especiais GEx
Dinheiro e sonhos

Dinheiro e sonhos
Previdência Privada

Carreira e Sucesso

Carreira e Sucesso
Empreendedoras em atendimento

Sustainable Cities

Sustainable Cities
Você faz a diferença!

Sustainable Cities

Sustainable Cities
Onde e Como Vivemos

Especiais GEx

 
   
 
© 2020 Global Exchange. Todos os direitos reservados.