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Climate Change
 
 
Postado em 16/4/2005

Riscos nas Cidades

Uma das características mais marcantes do mundo moderno é a vida humana em grandes centros urbanos. Historicamente, as cidades se desenvolveram em áreas sujeitas a inundações, terremotos, secas e furacões; mas dois fatores limitavam o impacto de eventos desastrosos em populações humanas. Em primeiro lugar, algumas localidades urbanas em particular eram evitadas, e em segundo, as cidades eram relativamente pequenas e com baixa densidade populacional. Tudo isso mudou. Hoje há ínumeras mega-cidades em áreas sujeitas a desastres naturais (e outros tipos de desastres) e muitas das localidades mais perigosas foram ocupadas pelo homem. Além disso, é espetacular a intensificação de construções em centros urbanos. Houve uma proliferação de edifícios altos para o comércio e habitação. Uma pesquisa sobre desastres urbanos reportados na mídia para a América Latina e Caríbe (1974-1994) indica que quase dois terços das mortes e danos nas cidades foram causados por desastres naturais, e mais de um terço por desastres sociais e tecnológicos.


Inundações como essa no Sudeste Asiático
são protagonistas de crises sociais e humanas.

Como artefatos humanos, as cidades levantam questões ligadas as condições sociais do risco urbano. As cidades enfrentam problemas especiais quanto a sua vulnerabilidade e a capacidade de resposta de seus habitantes. Estes envolvem a complexidade do meio tecnológico e sócio-econômico, e as relações sociais com o habitat urbano. Kenneth Hewitt (1997) indica algumas questões comums entre os grandes centros urbanos que geram riscos, dentre eles:

1. "o ambiente construído" e as normas de segurança aplicadas a construções onde pessoas passam a maior parte de seu tempo;

2. o perigo da dependência no fluxo de recursos, informações e bens para o suporte da vida urbana, e também a dependência daqueles mais desafortunados em programas de auxílio público;

3. a concentração de energia e força física nas áreas urbanas incluíndo substâncias perigosas;

4. "a ordem das grandes massas" que muitas vezes não atrai atenção para a vulnerabilidade de grupos sociais como as mulheres e crianças;

5. o congestionamento, não somente de veículos mas também de pessoas e oportunidades;

6. e a violência urbana que gera um ambiente sem respeito e tolerância.


A proteção a infraestrutura física na cidade é um elemento importante
na mitigação de riscos associados a eventos naturais (Bangkok,Thailândia).

As cidades, portanto, podem ser designadas como "espaços sem defesa"? Enquanto as instituições políticas, sociais e econômicas estiverem distanciadas desta realidade, enquanto a proteção das cidades e de vidas humanas não forem prioridades, as cidades se tornaram cada vez mais vulneráveis. O foco em políticas e práticas que garantam a segurança e a qualidade de vida nas cidades requer uma fatia maior dos recursos financeiros e humanos gerados. O sistema de governança urbano (não necessariamente um sistema de governança pública) deve se orientar de tal forma a aumentar sua capacidade autônoma e planejada de minimizar os riscos associados a desastres. Isto contempla ações de planejamento para a redução da sensibilidade de ativos chave, para o aumento de resiliência e flexibilidade da infraestrutura pública e privada, e para o fornecimento robusto de água e saneamento. Requer também, uma preocupação constante com aqueles grupos sócio-econômicos marginalizados e sitiuados em áreas de maior risco. A complexidade dos centros urbanos gerado pela diversidade de pessoas, funções e interações em espaços relativamente pequenos requer uma atenção especial nos processos geradores da vulnerabilidade humana, e de sua estratificação na área urbana.


A rápida urbanização gera o congestionamento de pessoas,
atividades e dificulta as oportunidades sociais (Kano, Nigeria).

Mark Pelling (2003) identifica uma lista positiva para o aumento da resiliência em ambientes urbanos que inclui sistemas de comunicação democráticos, a diversificação econômica, a participação local na tomada de decisões e o investimento financeiro na proteção física e humana. Para tanto, o médio a longo prazo deve ser o espaço de tempo considerado pelos tomadores de decisão e não um horizonte imediatista e emergencial. Cidades sustentadas por um ambiente seguro e próspero, com amplo respeito a vida, é o caminho para enfrentar os elementos os quais o homem controla apenas em parte.


Os grupos sociais mais vulneráveis são aqueles marginalizados
de forma econômica, social e geográfica. (Calcuttá, India)

Samy Hotimsky
samy@globalexchange.com.br

Samy Hotimsky, biólogo, economista e estudante de doutorado em Ciências Ambientais. Correspondente do Global Exchange, escreve periodicamente para o Climate Change.

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