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Postado em 2/1/2006

Virtuópolis: A Nossa Cidade do Futuro

Por Eugenio Singer
singer@globalexchange.com.br

Paredes de plasma, comunicação ambiental sem fio, home check up's, leitura do pensamento e viagens virtuais. Sem dúvida você já deve ter pensado, lido ou visto algo assim em algum livro ou filme de ficção.

 

Pois bem, este e mais tantos outros sonhos é o desejo de intelectuais que buscam a qualidade de vida e trabalho virtualizado em casa, sem ter de enfrentar quilômetros de engarrafamentos, riscos de assaltos e balas perdidas ou o simples olhar de um próximo agonizando ou pedindo esmola ao seu lado. É também o mundo daqueles que vivem nas áreas rurais e que optaram por não ser um dos 80% que vivem em área urbanas em paises de dimensões gigantescas. Ou na mais simples versão da natureza, o mundo da fauna e da flora que ainda não foi antropizada.

 

Se pararmos para pensar, veremos que a irracionalidade tomou conta de nossos planejadores e engenheiros que constroem sem eficiência, um mundo liderado pela especulação e modismos.

O homem sempre precisou de muito poucos recursos para viver, mas o marketing e o consumismo desenfreado, centrado na economia dos países desenvolvidos nos conduz ao mal uso e à exaustão dos recursos naturais de forma inusitada. A cada dia que passa valorizamos mais e mais os bens que se escasseiam: o dia da água, o dia do clima, o dia da terra. O dia do homem há de chegar.

 

A Bolsa de Valores leva 30 segundos de Hong Kong a Los Angeles para cair e neste mundo totalmente interdependente e comunicável nos vemos impossibilitados de salvar vidas na Ásia quando um tsunami varre o oceano e continente em não mais de 6 horas. Apesar da impressionante velocidade dos tsunami, ela ainda é quase 720 vezes mais lenta do que o tempo para derrubar o mercado financeiro. Os valores certamente estão invertidos.

 

O Homem veio ao mundo para pensar, para usufruir do ócio de forma produtiva, porém, já não conseguimos mais parar para tanto. Quem não gasta 80% do seu tempo para trabalhar e pagar contas (infindáveis até o fim de sua vida)? Quanto do nosso tempo é dedicado para cuidar e proteger nossos filhos, pais avós e netos? Quanto do tempo livre, nos é legado para permitir maiores reflexões e melhoria da nossa qualidade de vida, seja ela espiritual ou relativa à nossa própria saúde?

 

Pois bem, acho que é tempo de quebrar o paradigma e diminuirmos a velocidade deste frenético consumo material. Consumir o ócio e usufruir da virtualidade, tecnologicamente disponível, passa a ser realmente mister para pormos em prática a tão usada e difundida concepção da sustentabilidade. Um dos grandes riscos iminentes é que o tsunami do consumo, ou seja, a próxima onda do consumo chinês, nos assole com a imensa demanda de recursos e matérias para suprir uma sociedade mais preparada e espiritualmente superior.

 

Pensar em Virtuópolis no local de São Paulo, seria primeiro pensar na redução drástica do transporte individual, do desaparecimento do automóvel, este ópio das cidades concomitante a esta distribuição logística maluca de bens no seio da metrópole de São Paulo em pleno horário comercial. Seria também pensar em ruas cheias de pessoas mais descontraídas, como vemos quando vamos ao litoral fora de férias, ou na pequena cidade do interior. Seria ver todos aproveitando o sol na hora do almoço às margens de nossos rios, que hoje transportam resíduos, carcaças e corpos. Seria portanto, a verdadeira humanização dos grandes centros urbanos, onde aproveitaríamos o meio e não somente o fim (aquela idéia de chegar e do tempo finito).

 

Virtuópolis é o local onde podemos reduzir o tempo e o espaço na linha da relatividade, podendo nos plugar aos entes queridos, amigos e companheiros de trabalho a qualquer hora e quando queiramos, sem ter de nos transportar e sacrificarmo-nos para tanto. Virtuópolis é a assistência médica em casa, ou em vários locais próximos, porém sem filas e agendamentos além dos intrinsecos riscos de infecções hospitalares. Virtuópolis é o amplo consumo do lazer, cultura e conhecimento ali, pegado a você, o tempo todo. É o mundo sem barreiras como se fora um safári sócio-cultural.

 

Ficção ou não, o que percebemos é que não conseguimos parar as engrenagens como víamos no filme TEMPOS MODERNOS de Charles Chaplin,  afim de reorganizarmos nossos valores. A construção contemporânea impede a reciclagem, ela há de consumir mais e todos os recursos disponíveis.

 

A arte de negar, abolir, suprimir, evitar e desprezar o supérfluo pelo essencial é fundamental para que Virtuópolis exista. Quer verificar? É só abrir suas gavetas, olhar a estante de sapatos e muitas vezes até abrir a sua própria geladeira.

 

Ao invés de adotarmos a famosa linha "do berço ao túmulo" que tal adotarmos a ideologia de William Mc Donough "do berço ao berço". Não custa tentar!

 

Fui!

 

Eugenio Singer

Eugenio Singer é empresário e engenheiro ambiental e escreve periodicamente para o Global Exchange sobre ecologia e desenvolvimento de cidades sustentáveis.

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Sobre o autor...

Eugenio Singer

Eugenio Singer é um empresário, consultor e um pensador na área de sustentabilidade.

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