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Climate Change
 
 
Postado em 16/7/2005

Dois discursos: um acadêmico e outro político

Em Junho de 2005 as acadêmias nacionais de ciência dos países membros do G-8 (grupo dos sete países mais industrializados e a Rússia) e da China, Índia e Brasil publicaram uma declaração conjunta sobre a mudança do clima (o documento pode ser encontrado aqui). O documento especifica que a evidência existente das alterações climáticas é clara o suficiente para justificar uma ação imediata de redução das emissões de gases de efeito estufa.


Líderes do G8 reunidos na Escócia

Em outra declaração conjunta sobre o tema, agora dos líderes participantes da reunião do G-8 em Julho na Escócia, informa que a mudança do clima é um desafio sério e de longo prazo e que deve ser tratado de com ações resolutas e urgentes. O documento pode ser encontrado nesse link.

Dois documentos, dois discursos. Enquanto que a comunidade científica aponta para a importância de reverter a trajetória ascendente das emissões de gases de efeito estufa por meio de metas, os representantes políticos se contentam em diminuir a taxa de crescimento das emissões e nem sequer incluem a idéia de metas de redução. Será um problema de comunicação entre as duas partes?
Não. A esféra política é consideravelmente mais complicada do que a científica. Na ciência, fatos são construídos através de observações, experimentos e modelos matemáticos. Na política, verdades são construídas com base em interesses, a pressão de grupos sociais e outros fatores. Não que a ciência esteja isenta de ideologias ou de interesses sociais; longe disso. O projeto científico é uma atividade social, da mesma forma que a atividade política. Mas a política tem a responsabilidade da operacionalização dos resultados científicos, e isso envolve escolhas ('trade-offs') nem sempre fáceis de se realizar.

Particularmente, a escolha de diminuir as emissões de gases de efeito estufa através de metas nacionais de redução não é aceita como legítima por países como os Estados Unidos e a Austrália, e ainda por uma série de países menos ricos mas também emissores importantes de gases de efeito estufa. Nos Estados Unidos, a ideologia americana de que é possível controlar (todos) os processos naturais através da ciência e tecnologia não contribui em nada para a realidade de que o homem e a terra tem limites. Nos países menos ricos mas também emissores importantes, a ideologia de que os países mais ricos é que tem que pagar a conta impede o avanço das negociações sobre o clima. Desta forma, a discussão se prolonga e a trajetória continua crescente. Dois documentos, dois discursos e uma falha apenas: a humana.

Samy Hotimsky (sammy@globalexchange.com.br) é estudante de doutorado no Departamento de Ciências Ambientais da University of East Anglia (Norwich, UK) em conjunto com o Tyndall Centre for Climate Change Research.

 


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