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Postado em 26/9/2006

Infelicidade Sustentável

O último Relatório de Sustentabilidade de Cambridge, publicado em agosto de 2006, apresenta os resultados dos Diálogos Sustentáveis realizados entre 2003 e 2006, com mais de 400 especialistas em sustentabilidade de cinco paises: Áustria, Quênia, África do Sul, Reino Unido e Estados Unidos.

Segundo o relatório, "a meta ou o propósito fundamental de uma Boa Economia é melhorar, de forma constante, o bem estar de todos, agora e no futuro, com o devido cuidado à eqüidade, dentro das limitações da natureza e através do ativo engajamento de todos os participantes". Muito bem, até aqui nada de novo. Milhares de definições desta natureza têm sido realizadas desde o primeiro milênio, Aristóteles que o diga!

Segundo o mesmo relatório, as principais falhas da Economia Atual são: a falta de Educação; a falta de Governança; o foco no curto prazo; a injusta distribuição de poder, riqueza e bem estar; a fraqueza humana; os incentivos impróprios como o comércio não sustentável ou injusto; os custos de externalidades, desconsiderando valores sociais e ambientais; a falta de consenso coletivo sobre o propósito de longo prazo ou metas para uma Boa Economia; valores incompatíveis com a sustentabilidade e métricas erradas.

O Relatório de Sustentabilidade de Cambridge indica ainda que a Boa Economia deva ser: inclusiva, focando no compartilhamento e benefícios globais; de longo alcance focando nas conseqüências e gerações futuras; desenvolvimentista e com melhoria contínua; eqüitativa na justa distribuição; sustentável; participativa; inovadora; diversificada; acessível no tangente a oferta de oportunidades e atenta ao bem estar e qualidade de vida das pessoas;
Todas as definições e métricas aplicadas ou resultantes destes diálogos parecem não conseguir romper a barreira tão desejável da sustentabilidade que a cada ano se torna mais virtual.

Toda vez que avaliamos os resultados de algo que propomos e não conseguimos alcançar, estabelecemos novos indicadores, novas metas, novos paradigmas. No mundo empresarial dizemos que rodamos o PDCA (Planejar, Fazer, Verificar e Analisar) e por meio de uma análise crítica estabelecemos as novas metas. A questão é que quando existe o consenso para a definição dos novos patamares, ou quando o avanço orgânico do desenvolvimento é tímido, a "coisa" vai mesmo é patinar!

Um dos índices mais intrigantes que vi recentemente foi o Índice de Felicidade do Planeta (HPI). O HPI é uma métrica inovadora que mostra a eficiência ecológica com a qual o bem estar humano é entregue. O conceito é básico, três macro-indicadores: satisfação, expectativa de vida e pegadas ecológicas. O HPI é a relação entre estas três variáveis:

                             Satisfação de Vida X Expectativa de Vida
                HPI =      ___________________________________ 
                                             Pegada Ecológica

Os resultados podem surpreender, pois o paradigma ortodoxo de desenvolvimento econômico é abstrato no índice. O HPI procura mostrar as relações entre os fundamentais recursos planetários, a forma como são transformados e entregues para a sociedade, em termos da sua satisfação e expectativa de vida.
O incrível é que o resultado desta análise é completamente contra intuitiva, face aos vieses do mundo capitalista. O mais incrível ainda é descobrir que são as ILHAS as que apresentam melhores equilíbrios e scores para o HPI. Mesmo assim nenhuma nação possui um equilíbrio perfeito para os três macro indicadores.

Alguns dos resultados mais interessantes além do exemplificado acima são: é possível viver mais e mais satisfeito com impactos ambientais muito menores; paises com a mesma pegada ecológica podem gerar expectativa e satisfação de vida muito diferentes; paises similares em outros termos, podem gerar satisfação de vida muito diferente.

De acordo com o HPI, os paises mais "Felizes" são a Colômbia, Panamá, Santa Lucia, São Vicente e Grenadinas e Vanuatu. Já no bloco inferior encontram-se Latvia, Lituânia e Rússia.

O Brasil apresenta uma desvantagem intrínseca inicial muito grande. Por maior que seja nossa expectativa de vida individual e nossa satisfação, as pegadas ecológicas são tão ruins, que já começamos com um enorme deságio no HPI. Ocupando uma posição intermediária, o Brasil apresenta um HPI de 48.6 para uma expectativa de vida de 70.5 anos, uma satisfação de 6.3 e uma pegada ecológica de 2.2.

O inusitado é que quando os intelectuais brasileiros definiram o Brasil que gostaríamos ser, no Fórum do DNA Brasil, em outubro de 2004, verificamos que estávamos a 55% do pais ideal, no caso a Espanha, em termo das oito dimensões e vinte e quatro indicadores definidos no Índice DNA Brasil. No HPI, se compararmos a nossa posição relativa com a Espanha, verificamos que estamos acima de 10% à sua frente, pois a Espanha possui um HPI de 43%.

Estas são conclusões interessantes que nos remetem a uma reflexão profunda para pensarmos no país que queremos, ou que metas são realmente alcançáveis e importantes para nossa sociedade. O fato é que as agendas recentes têm se perdido nas últimas décadas e o que temos encontrado mesmo são verdadeiras irresponsabilidades sócio-ambientais. Mesmo assim, o solo é fértil, os recursos ainda são abundantes e, apesar da baixa estima, podemos virar este jogo e com certeza não conseguiremos alterar o começo, mas podemos mudar o final!  Sejamos felizes, mas conscientes com nosso consumo e pegadas ecológicas!

Eugenio Singer
eugenio.singer@globalexchange.com.br
Eugenio Singer é empresário e ambientalista. Sócio Fundador da ERM Brasil e do Instituto Pharos, organizações que dirige, é Membro do Comitê Idealizador do Instituto DNA Brasil e tem participado em vários Fóruns Nacionais, entre eles o de Diálogos Sustentáveis da Embaixada Britânica e o de Cidadania Empresarial da FIEMG. Publicou recentemente o livro "Governança Costeira: O Brasil Voltado para o Mar".

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