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Postado em 13/3/2008

China - População X Poluição?

Por Eugenio Singer
singer@globalexchange.com.br

Não é de hoje que muito se comenta na grande potência chinesa. Um imenso produtor de bens de consumo, que cresce a todo vapor (ou melhor, poluição mesmo), está com poucas preocupações para problemas ambientais de grandezas intercontinentais.

Nós do Global Exchange, através de nossos colaboradores sempre tivemos uma consciência e até mesmo um compromisso para causas ambientais, antes mesmo da mídia divulgar com mais freqüência assuntos como Aquecimento Global e Mudanças Climáticas.

As Olimpíadas de 2008 serão na China; Pessoas de todo mundo estarão competindo e tentando quebrar recordes em meio a um ambiente nada propício para tal.

Segue um pequeno perfil de como andam as coisas por lá:

- 20 das 30 cidades mais poluídas do mundo estão na China.
- 30% do território chinês sofre com chuvas ácidas.
- 25% do litoral chinês tem poluição moderada ou alta.
- 81% das foz dos rios transportam produtos poluentes que excedem os padrões nacionais.
- 70% dos lagos são poluídos.
- 26% das águas superficiais da nação são totalmente inutilizáveis.
- 62% não podem ser usadas para a pesca.
- 90% de seus rios estão poluídos ao passar por zonas urbanas.
- US$ 300 bilhões (12% do PIB) é o prejuízo anual causado pela poluição.
- O céu está cada vez mais acinzentado graças à "mái", misto de fumaça, poeira, gases e elementos químicos.
- Muitas pessoas andam com máscara de oxigênio nas ruas.
- A poluição da água e do ar fez do câncer uma das principais causas de morte no país.
- Guias turísticos recomendam que visitantes evitem consumir gelo por causa da poluição da água.
- A China é o maior emissor de dióxido de enxofre do mundo.
- 700 milhões de chineses (metade da população) consomem água que não corresponde aos padrões mínimos da Organização Mundial da Saúde.
- Usinas termelétricas ineficientes a carvão tornarão a China o maior emissor de CO2 em 2009-2010.


Beijing em uma manhã normal...

A estimativa é muito mais precisa do que a previsão anterior da AIE (Agência Internacional de Energia), de novembro passado, alertando que na tendência atual a China iria superar os Estados Unidos antes de 2010.


Mais um belo dia em Beijing... As cidade das Olimpíadas 2008

O fato de liderar o ranking dos maiores emissores de carbono poderá pressionar Pequim a ser mais ativa na questão da mudança climática.

Dados recentes mostram que a China está construindo usinas termelétricas alimentadas com carvão à média de 1 a cada 4 dias, disse John Ashton, funcionário de alto escalão do Ministério de Relações Exteriores britânico.

A energia gerada por fontes fósseis, como o carvão, é um dos fatores que aumentam o efeito estufa.

O governo chinês tem a difícil missão de ajustar um crescimento de 10 por cento ao ano com preocupações ambientais e necessidades de aumento de energia.

A imagem de satélite ao lado mostra a cidade de Beijing totalmente coberta pela grossa camada de poluentes atmosféricas.

O rápido crescimento da China coloca em suspenso os esforços do Ocidente em combater as mudanças climáticas.

A China, por ser um país em desenvolvimento, ficou de fora da lista de países que se comprometeram no Protocolo de Kioto a reduzirem as emissões de gases causadores do efeito estufa, assim como outros países emergentes.

Apesar dos problemas ecológicos vividos atualmente, a economia chinesa continua a todo vapor. Só em 2004 as taxas de crescimento ficaram em torno de 9%. Mesmo com o elevado preço pago em destruição ambiental, as lideranças em Pequim querem manter o ritmo. A fome de energia das suas indústrias e consumidores é insaciável. Ao mesmo tempo, o país precisa ocupar milhões de camponeses que estão abandonando as zonas rurais para procurar empregos nas grandes cidades.

Colocando a China no patamar dos países industrializados, ela ainda está engatinhando no desenvolvimento. Em geração de energia, o país está equiparado com a Grã-Bretanha. Segundo o Banco Mundial, a renda per capita de 2004 ficou em 1.290 dólares, o que a coloca atrás de países como Peru (US$ 2.360), Brasil (US$ 3 mil) e anos-luz distante de Luxemburgo (US$ 56 mil), Noruega (US$ 52 mil) ou a Suíça (US$ 48 mil). A China ainda é um país pobre levando em conta a riqueza distribuída entre seus 1,3 bilhões de habitantes.

O que fica por escanteio é o meio-ambiente. A dependência do carvão como forte energética para a China e outros países no mundo é um dos grandes desafios do futuro. Na China, 70% da sua energia é gerada em centrais térmicas, na sua grande maioria já defasadas e extremamente poluidoras (ler reportagem "As cidade do futuro"). Em grande quantidade, elas expelem óxido de enxofre (SO2), óxido nítrico e dióxido de carbono (CO2), gás que é um dos principais causadores do efeito estufa. Hoje a China já é o maior emissor mundial de SO2 e o segundo de CO2, depois dos Estados Unidos.


Rio Songhua, coberto por uma mancha de 80 quilômetros quadrados formadas por uma mistura de benzeno e nitrobenzeno.

Os EUA possuem uma meta de redução, mas se recusaram a assinar o protocolo, que já está em vigor.

Água é um bem cada vez mais raro. Especialistas profetizam no futuro conflitos sérios por ela, inclusive guerras. Na China o problema também existe. Lá as lutas já ocorrem: camponeses contra empresas, províncias contra províncias, cidades contra cidades. Um exemplo é dado por Pequim e Tianjin, duas grandes metrópoles que disputam pela água do rio Juhe. Entre 1990 e 2002, cerca de 120 mil disputas em torno da água ocorreram na China. O número é dado sem censura pelo Ministério dos Recursos Hídricos do país.


Lago Taihu - terceiro maior lago da China

Mais de dois terços dos rios  lagos estão contaminados. Apenas metade das cidades têm acesso regular a água. Além disso, a distribuição é desigual: no norte da China, onde vivem 47% da população e onde estão 64,8% das terras cultiváveis, se encontram apenas 19% da água. A com a tendência da urbanização do país, a situação está piorando cada vez mais.

Grandes quantidades de cádmio, uma substância altamente tóxica e usada na produção de equipamentos eletrônicos haviam sido derramadas acidentalmente no rio Beijiang por uma fundição estatal de zinco. O acidente provocou o corte no fornecimento de água de Yingde, uma cidade 1 milhão de habitantes localizada 90 quilômetros rio abaixo. O cádmio pode causar danos hepáticos e renais e, combinado com outros elementos, pode levar ao câncer.

Galeria de fotos

 

Sobre o autor...

Eugenio Singer

Eugenio Singer é um empresário, consultor e um pensador na área de sustentabilidade.

Saiba mais - Apresentação

Eugenio Singer
singer@globalexchange.com.br


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