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Coluna do Raimundo
 
 
Postado em 19/1/2010

Atenção, camera! Ação!!

Por Raimundo Penaforte
raimundo@globalexchange.com.br

Recentemente fui ao cinema para ver a terceira (e última) parte do filme "The Lord of the Rings: The Return of the King" ("O Senhor dos Anéis: O Retorno do Rei"). Um filme com mais de três horas de duração que usa os mais modernos efeitos cinematográficos do momento.

Confesso que, após uma hora e meia de filme, minha concentração começou a falhar e passei a sentir fome, vontade de me coçar e de esticar as pernas.

Apesar do filme não ser o tipo que aprecio, as batalhas e... mais batalhas... e tome batalhas, prenderam a minha atenção. Não a minha mente. No meio do filme, por exemplo, imaginei o roteiro de outro filme, inspirado, de certa forma, no Senhor do Anéis ou melhor, no anel, para ser mais exato, só que dirigido e estrelado por mim.

Foi difícil manter a concentração no filme dos "anéis" enquanto envolvido com o roteiro que se passava em minha mente. Eis aqui, em versão resumida, o que imaginei e que resolvi chamar de:

Letícia, a garçonete deveras gostosa e o seu anel

Como já mencionei, eu seria a estrela principal do filme e teria o meu próprio cabeleireiro e massagista, como toda estrela de Hollywood. E muitos músculos. E seria um tesão, também. Muito gostoso. E rico. Muito rico. E insônia. Teria que tomar pílulas para dormir. Muitas...

Agora ao filme:

Me encontro solitário, em um café novaiorquino, tomando a décima xícara-de-café-com-leite-de-soja-e-sem-açucar quando, repentinamente, entra "Letícia, a garçonete deveras gostosa e seu anel" correndo - de calcinha e sutiã -, em minha direção.

Ao se aproximar de mim, seu sutiã se quebra e os seus lindos seios se expõem em minha frente. Apavorado e com os olhos cheios d' água, eu digo: "Êita, pêga!".

Ofegante, enquanto ajeitando a calcinha, Letícia... - também com lágrimas nos olhos - me pede ajuda. "Por favor, me ajude!", diz ela apavorada. Prontamente, começo a concertar seu sutiã mas sou logo interrompido por ela, que diz não ser com o seu sutiã o problema, mas sim com o seu anel. "Bom, isso só lá em casa...", tento explicar-lhe.

Alguém na cozinha, diz ela, quer roubar-lhe o anel para descobrir o segredo da vida e mais outros segredos que não são da conta do prezado leitor.

Ao ser tocado no braço, pela delicada mão de Letícia, minha camisa desaparece e meus músculos másculos se proliferam. [Nota: Como já antecipei, o filme é meu e eu tenho direito a ter músculos e ser muito gostoso.]

Pulo da cadeira e agora estou suado, com a pele brilhando e vestindo uma tanga igual a do Tarzan. Falo para Letícia ter calma que eu vou salvá-la e ela não terá que me dar o seu anel. Só se quiser, claro.

 Corremos para a floresta. Atravessamos o Central Park e logo chegamos ao deserto do Saara [Lembrem-se: o filme é meu e eu corro pra onde eu quiser]. O Saara está muito quente e logo percebo que Lourenço da Arábia está de olho no anel de Letícia. Não dá outra, pegamos um táxi e vamos para Copacabana, disfarçados de esquimós. Ela me diz que quer tomar um chope no Lamas e nós vamos direto para o Lamas.

No Lamas, vou ao banheiro e enquanto tentando fechar a braguilha da calça, sou atacado por três bandidos. Todos brancos e paulistas. Mato os três com um simples golpe de caratê que aprendi na Internet.

Saio pela janela do banheiro e entro novamente no Lamas, como se nada tivesse acontecido. Me sento à mesa, com Letícia e ela chora em meu ombro. Quando o garçom vem nos servir, eu dou um tiro nele. Por nada. Só para impressionar Letícia. Ela sorri docemente.

Pegamos um avião, estacionado na frente do restaurante e vamos para o Havaí. No aeroporto, somos atacados pelo Sílvio Santos. Isso mesmo. Quem diria, hein?! Uma batalha sangrenta e com muitas gargalhadas. Começamos a lutar e logo tiro a roupa e fico só com a tanga à la Tarzan, enquanto Letícia, perde o seu vestido.

Letícia é capturada pela Banda do Zé Pretinho que aparece na cena a convite do Sílvio Santos. Logo descubro que o Jorge Benjor está por trás disso tudo. Ligo para o João Gilberto e ele me diz que Letícia é muito gostosa. Eu digo pra ele que eu sei disso, mas preciso salvá-la. O João me pede o anel dela e eu digo que não. "Assim também não, João. Deixa ela me dar primeiro... o anel."

João fica bravo e diz: "Só danço samba/ Vaivaivaivaivai...". E eu vou mesmo. Na esquina da quinta avenida com a rua 46, em Nova York, o telefone público toca e eu o atendo. Descubro que é o cozinheiro do café, onde tudo começou.

Não consigo entender o que ele diz. Algo me diz que ele não fala nem inglês, nem português e nem espanhol. Ainda pergunto: "Lula?...", mas logo descubro: ele é mudo.

Ligo de volta para o João e prometo-lhe o anel de Letícia, se ela quiser dar para ele. Ele concorda e me diz que Letícia está presa no MOMA. "No MOMA?!", pergunto, surpreso como vocês leitores. "Por que no Museum of Modern Art?". Ele me responde, "Porque eu quero que esse filme seja meu também". Começo a gritar com o João e digo: "Tu só dança samba, velho/ Vaivaivaivaivai...". Bato o telefone e vou direto para o Amazonas.

Em Manaus, após trocar de tanga, tomo um tucupí no tacacá e uma Guaraná Baré antes de pegar um barco para ir aonde as águas se dividem. Algo me diz que Letícia, a garçonete deveras..., está por lá.

No caminho, sou atacado pelo Bin Laden e o chamo de veado barbado. Ele fica revoltado e sai correndo e chorando, dizendo que assim é covardia.

No meio do Rio Amazonas, paro o barco para fazer aquilo que só eu posso fazer. O tucupí no tacacá e a Guaraná Baré começam a fazer efeito. Tenho que trocar de tanga novamente.

Em meio a isso tudo, chega um helicóptero com o time do Coríntias. Noto que eles trazem consigo, Letícia..., indefesa e só de calcinha. Eles dizem que querem o seu anel. Eu respondo, em voz alta: "O João também quer o anel dela!". Nesse momento, chega a torcida do Flamengo, liderada pelo Zorro. "Zorro?", pergunto mais uma vez, surpreso como vocês leitores.

Zorro pula do helicóptero, juntamente com o seu cavalo, para dentro do meu barco e começamos a lutar. Eu, ele e o cavalo. Ele com a sua espada, eu com a minha peixeira e o cavalo com suas luvas de boxe. Começo a dançar um xaxádo e Zorro fica todo embananado. Completamente bolado. Ele nunca dançou xaxado, na vida. Muito menos seu cavalo.

Aproveito a ocasião e pulo no rio à procura do Titanic. Para minha surpresa, encontro o Titanic, no fundo do Rio Amazonas. Quando entro no navio, vejo que esse parágrafo não tem nada a ver com o meu filme e fico meio deprê. Ao sair do navio (e do parágrafo), vejo o Zorro beijando o seu cavalo. "O quê?!", pergunto indignado. Ele me ouve resmungar e diz: "Não é o que você está pensando! Affe!!".

De volta à superfície, encontro Letícia no meio de uma enorme fogueira, prestes a ser assada viva e servida ao Cacique Juruna. Penso, por longos minutos: "Ela crua já é boa, imagine assada...". De repente, cai um cacho de pupunhas em minha cabeça, fico meio tonto, mas logo volto à tona e contorno a situação.

Rapidamente, desmancho a fogueira ao redor de Letícia, dou umas porradas no Juruna - depois que ele me pergunta em que loja gay comprei a tanga - e carrego Letícia em meus braços, rumo à Paris (juntamente com o cacho de pupunhas que, cozidas em água e sal, é uma delícia).

Em Paris, nos casamos e vivemos felizes para sempre.

A essa altura do campeonato, o leitor há de perguntar o que aconteceu com o anel de Letícia. Vejamos: não só o filme é meu como também sou a estrela principal do mesmo, sou gostoso, milionário e um tesão, como o 007. Além disso, conheço todas as letras do Vinícius de Moraes, de có. Que vocês acham?

Claro que ela me deu o anel.

xxx THE END xxx

A seguir, cena do filme cortada por falta de verbas:

 Eu e Letícia... fugimos para a Austrália. Lá, encontramos com um crocodilo amigo meu, dos tempos em que fui assistente do Tarzan (daí a tanga). Blablablablablá... e agora estamos atravessando o Rio Tietê, em São Paulo, nas costas do crocodilo, enquanto perseguidos pelo pessoal de meio ambiente. Todos armados com canetas bic, copinhos de café e muita ideologia. Saltamos do crocodilo para o yatch do Roberto Carlos, o Lady Laura. Tomamos dois whiskeys com o Rei e... mandamos tudo pro inferno.

 "Uma brasa, mora?", diz o Rei, após um trago em seu cachimbo.

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Sobre o autor...

Raimundo Penaforte

Músico, compositor e arranjador é um dos mais prolíferos músicos brasileiros de sua geração. Suas músicas têm sido apresentadas na Europa, Canadá, Japão e no Brasil. Nos Estados Unidos, a música de Raimundo tem sido tocada nos mais importantes locais do país como a Casa Branca, Kennedy Center, Kravis Center e Lincoln Center for the Performing Arts.

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Raimundo Penaforte
raimundo@globalexchange.com.br


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