15 de outubro de 2019 Home | Conte sua história | Cadastre-se | Sobre nós | Fale Conosco | Anuncie aqui
 
 
Voltar para a home do GEx
twitterFacebook    Editorial GEx
pesquisar
 
   
 
Café Brasil
 
 
Postado em 3/8/2010

Cliente Bom

O outro lado

Por Marcos Martins
marcosmartins@globalexchange.com.br

Fui ao banco. Ao sair da sala para me atender, a gerente foi interceptada por outro cliente, extremamente irritado. Ela havia marcado hora para me atender e o sujeito queria passar à frente. Educadamente, ela explicou a situação e pediu que ele aguardasse na sala ao lado. Enquanto conversávamos, o quadrúpede fazia escândalo em voz alta, até que decidi encerrar a reunião e pedir a ela que atendesse o sujeito de uma vez. Algumas horas depois ela me ligou, pedindo desculpas. O sujeito era um grande cliente e se julgava no direito de ser atendido na hora, mesmo que tivesse que constranger a todos na agência. O suspiro dado ao telefone deixou claro que se pudesse, ela mandaria a cavalgadura para a ponte que partiu.

Quando me formei no curso de Comunicação Visual em 1997, juntei-me a três colegas de classe e montamos um estúdio de comunicação. Éramos quatro ex-estudantes de comunicação, com idades entre 21 e 23 anos e todos os sonhos do mundo. Aceitávamos todo tipo de trabalho até que um dia, diante do dinheiro que não entrava e do monte de tempo investido nos trabalhos, concluí uma coisa que ficou comigo pelo resto da vida:

- Temos que aprender a recusar clientes.

É sim. Descobri naquela época ingênua que existem clientes - e não são poucos - dos quais temos que fugir. São clientes que dão prejuízo, nos fazem mal e ocupam o tempo que poderíamos estar dedicando a outras atividades, como regar o jardim, por exemplo.

E de lá para frente, encontrei vários tipos de clientes:

- O cavalos: que davam excelente lucro, mas ninguém queria atender, pois eram mais grossos que dedo destroncado.
- Os indecisos: que não sabiam o que queriam e eram incapazes de tomar uma decisão. E dá-lhe refação.
- Os cagões: que tinham medo de assumir responsabilidades. Não diziam nem sim, nem não e não permitiam que eu chegasse à suas chefias. Funcionavam como um anteparo, impedindo que as coisas andassem.
- Os mal educados: que me deixavam esperando, não retornavam ligações e jamais usavam qualquer princípio básico de educação. Teve um que dizia que "fornecedor é que nem cachorro: a gente tem que ter um pra chutar.".
- Os soberbos: geralmente jovens profissionais que ao conquistar algum poder - qualquer poder - passavam a "se achar". E do alto de sua ignorância desprezavam a experiência dos não-poderosos, geralmente fornecedores ou subalternos.

Hoje estou vacinado. Conheço as feras de longe. A experiência me ensinou que cliente bom é aquele que - além de pagar pelos serviços - se diverte junto comigo, entende que estamos construindo algo positivo, juntos. 

Cliente bom é aquele que estabelece comigo uma relação de confiança, dando-me oportunidade de a ela corresponder.
Cliente bom é aquele que me deixa satisfeito quando fica satisfeito.
Cliente bom é aquele que quer sinceramente meu sucesso.
Cliente bom é aquele que eu abraço com vontade.
Cliente bom é o que é nutritivo...

Imaginei a gerente do banco abraçando aquela cavalgadura. Impossível.

Tem cliente que gente não atende, enfrenta.

Artigos relacionados

Espera - Em pé ou sentado?
O Cara do Espelho
Os Pombos e a mídia
Tanta Porcaria - Chega de ouvir!
UONDERIF... Wonder if
Reflexões sobre o Cagaço

 

Sobre o autor...

Marcos Martins

1

Saiba mais - Apresentação

Marcos Martins
marcosmartins@globalexchange.com.br


Últimos artigos de Marcos Martins

Pílulas Natalinas
Que Curso Fazer?
Os Preçonhentos
Reflexões sobre o Cagaço
Tuitando!
Veneno
NÓIS - O Novo Livro de Luciano Pires
O Montanhista
Espera - Em pé ou sentado?
Os Pombos e a mídia

Veja todos os artigos publicados por Marcos Martins clicando aqui.


Especiais GEx

Especiais GEx

 
   
 
© 2019 Global Exchange. Todos os direitos reservados.