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Sustainable Cities
 
 
Postado em 30/8/2010

A Engenharia Caseira

e a Sustentabilidade

Por Eugenio Singer
singer@globalexchange.com.br

Há quatro anos, 60 pensadores brasileiros se reuniram em Campos de Jordão, para ajudar a pensar o Brasil. Quais seriam as reais vocações do país e como poderia ser o futuro do gigante geográfico e do anão histórico, eram as questões colocadas para reflexão . Em uma destas sessões, os pensadores nacionais foram instigados a pensar como seria a vida deles dali a 20 e 50 anos. As visões dos convidados foram as mais diversas possíveis, porém a tão sonhada sustentabilidade não passou de uma tênue miragem para muitos deles. A grande maioria, revelou que como em um filme de ficção as cidades se tornariam locais quase proibidos, onde iriam simplesmente para alguma atividade necessária, fosse até um jantar entre amigos em um restaurante super fechado. Trabalhariam em casa e interagiriam com a sociedade virtualmente, por intermédio de seus sofisticados sistemas tecnológicos convergentes. Para muitos as cidades contrastariam suas exuberâncias arquitetônicas com as mazelas da pobreza urbana, criminalidade, sujeira e obscuridade.

A apocalipse urbana não deve ser uma premissa forte para nós engenheiros, arquitetos e urbanistas. A tecnologia está do nosso lado e as soluções passam muito mais pela vontade política e determinação perseverante do que pela dinâmica degradante das ocupações urbanas desordenadas.

Acredito sim que o que mais nos falta seja a visão de longo prazo, voltada para o planejamento territorial urbano avançado e que a re-inclusão social no mundo urbano passe a ser obrigatório em nossos atos de criação. Hoje, de forma até confortável, muitos especialistas atribuem o agravamento do caos urbano às mudanças climáticas. No entanto, esquecem que o nosso modelo econômico (desenvolvido por economistas que se afastaram das ciências humanas) é voltado para o consumo material, desprezando o consumo cultural e o ócio produtivo.

As empresas automobilísticas que junto com a indústria do fumo contabilizam dois dos maiores fatores de risco de mortes da nossa sociedade, já possuem estudos sobre a paralisação do sistema viário em São Paulo e Belo Horizonte. A velocidade média dos automóveis nestas cidades será de menos de 5 km/h,( comparada com os 15 km/h atuais) ou seja, mais lenta do que o simples e saudável caminhar. Indiferente a estes números o sistema financeiro lança crédito de 80 a 100 meses para o financiamento dos automóveis. Sem dúvida aqueles que adquirirem seu veículo através do crédito terão o seu exemplar parado na garagem ao final da ultima parcela do investimento. O automóvel tornar-se-á um objeto de status puro e simplesmente. A crise do trânsito associada aos efeitos climáticos já induzem a uma reclusão dos paulistanos às suas residências durante alguns dias da semana. É preciso repensar a função social das aglomerações urbanas

Considero que tendência não seja destino e que apesar de não podermos decidir nosso futuro, possamos sem dúvida planejar para que ele seja melhor. Considero também que seja impossível mudar o status sem uma quebra de paradigma, Um dos grandes e bons exemplos desta idéia  foi a Lei da Cidade Limpa estabelecida em São Paulo proibindo a propaganda indiscriminada pela cidade. Ninguém ainda contabilizou os benefícios psicológicos e sociais desta ação. È perceptível a diferença quando passamos de uma cidade vizinha sem a lei da cidade limpa para o município de São Paulo, a paisagem se transforma e ameniza o espírito, tornando-nos menos ansiosos e mais calmos para apreciar a  geografia e a história da cidade.

A Sustentabilidade ainda é uma jornada desconhecida para a maioria dos setores públicos ou privados. A grande maioria das ações são pontuais, marqueteiras e não se integram em um perfeito mosaico urbano.

Bairros planejados para serem sustentáveis cederam à aviltante especulação imobiliária deteriorando rapidamente o bem estar social daqueles que pensaram em viver bem algum dia.

 No Rio de Janeiro, a Barra da Tijuca é um grande exemplo da Torre de Babel urbana. Uma geografia plana e aprazível, com todos os requisitos para ser exemplo de planejamento urbano sustentável se degradou em menos de duas décadas.

Temos um belo desafio à frente: uma Copa do Mundo em 2014 e uma Olimpíada em 2016, com muitos recursos financeiros para ajudar a quebrar este paradigma, O Rio pode dar o exemplo e tornar agradável o hábito de viver na cidade novamente.  E nós engenheiros, arquitetos, geógrafos, biólogos, sociólogos e urbanistas podemos contribuir muito para que esta visão se concretize. Feliz 2000 Idéias!

 

Sobre o autor...

Eugenio Singer

Eugenio Singer é um empresário, consultor e um pensador na área de sustentabilidade.

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Eugenio Singer
singer@globalexchange.com.br


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